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segunda-feira, 18 de junho de 2012

ENTREVISTA




1    FG- Cara, eu fico sempre pensando, o porquê dos nomes dos apelidos, e não consegui pensar em nada pra justificar o teu kkk, porque esse apelido/nome de trabalho Hibrido Dc ?

2     HIBRIDO- Hahah ninguém consegue. Na verdade hibrido é uma palavra que substitui mestiço. No Hip Hop existe essa defesa e autoafirmação de etnia, e algumas vezes isso soa como preconceito. No Brasil todos nós somos mestiços, então é difícil defender uma etnia (eu mesmo tenho uma avó branca de olho verde) então escolhi esse apelido para sinalizar a minha posição quanto a isso.

3FG -      Eu ouço suas musicas desde antes de você lançar o cd “Assim eu sou”  lembro tinha versões antigas das musicas “Canção do Robin Hood” , “Apenas um Toque” se não me engano e “ Amigos Mortos”. Fala um pouco de como foi essa sua transição de trabalhos, o Hibrido antes o cd “Assim eu sou” e o Hibrido Após o cd.

4HIBRIDO -      Hoje sou um Hibrido mais maduro, com experiências novas. Gravar não é nada fácil, principalmente quando se é mc, o produtor, o empresário, o promoter, e etc. Esse disco é como um marco pra mim, vejo erros e acertos nele, e no próximo disco quero olhar para ele, repetir os mesmos acertos e corrigir os erros. É um disco biográfico, fala muito sobre mim, minhas histórias, amigos, ideias, por isso tem esse título. Também me tornei um Hibrido mais atarefado (rs), mas isso é bom porque é uma resposta de que o objetivo do disco está sendo alcançado e tem edificado a vida de pessoas.

5FG -      Ainda falando sobre trabalho, como você vê a forma de divulgação musical através de novas mídias, sendo você um musico alternativo que não tem contrato com gravadoras de grande porte ainda? Ou você prefere ficar alternativo?

6HIBRIDO -      Eu acho ótimo porque facilita e muito a vida de artistas independentes, se não fosse a internet provavelmente eu demoraria muito mais a divulgar minhas musicas do que hoje. Com relação a gravadora, não tenho essa pretensão, mas pensaria se fosse o caso. O problema é que existe um abismo muito grande entre gravadoras e sons periféricos (musica fora do mainstream), e ai esta o problema, não quero só fazer musica que venda, quero fazer musica como eu recebi, que alcance pessoas de forma sincera e não maquiada, não vou fazer musica pensando no numero de pessoas que vão comprar o disco ou vão ao show, vou continuar fazendo musicas que toque o coração das pessoas. Se alguma gravadora aceitar esse termo, eu to dentro!

7FG -      Como disse, acompanho o seu trabalho há algum tempo, e vejo que você tem um carinho todo especial com seus fãs. Tu acha importante esse contato direto com os fãs tanto pra divulgação do seu trabalho como pra mostrar aquilo que você realmente e sem mascaras?

8HIBRIDO -      Eu acho importante porque não tenho fãs, eu tenho irmãos. E eu não sou especial, faço parte de um todo em todos os aspectos da minha vida, para ser musico preciso do outro, para ser pastor preciso do outro, para ser igreja eu preciso do outro, para pregar aos perdidos eu preciso dos perdidos (rs). Então é o mínimo que eu faço dar essa atenção não só nos shows ou na rua como acontece, mas também de forma virtual, estou sempre nessa conexão: ouvindo, aconselhando, rindo junto, muitas vezes chorando, e o mais importante crescendo junto.

9FG -      Conta um pouco de como foi sua conversão cara, da transformação que JESUS fez na sua vida?

1HIBRIDO -  Converti-me aos 17 anos, até esse momento deu tempo de aprontar bastante: ser preso, usar drogas, entrar em muitas brigas, traficar, provar de todo tipo de relações sexuais, ser pai, problema com família e por ai vai. Então nessa bagunça toda me mudei para Campo Grande RJ, e no dia 2 de novembro de 1999 fui a um show que não minha cabeça era mais um show, e chegando lá ouvi falar de Jesus e no apelo levantei a mão e o confessei, depois disso fui acompanhado e discipulado sobre o Evangelho até de fato conhecer a Jesus e me converter. Para saber mais ouça a musica Minha História hahah

1FG -  Você, já passou por muitas coisas em sua vida assim como todo mundo já passou por coisas boas e ruins também, como é ser pai na adolescência?

1HIBRIDO -  É tenso hahah. Na minha cabeça de 16 anos e totalmente alienada, no inicio não tive noção do que aquilo representava, graças ao Pai conheci o Evangelho alguns meses depois, então coloquei minha cabeça no lugar e assumi minhas responsabilidades como pai, amando, cuidando, estando perto. Infelizmente ela mora no Espirito Santo e eu no Rio, mas a gente tem um contato bem legal apesar da distancia. Sou muito grato a Deus pela minha filha (hoje ela tem 12 anos), ela tem me dado muito orgulho.

1FG -  Vou mudar um pouco o assunto. Recentemente temos visto na tv brigas entre grandes pregadores e disseminadores do evangelho, o que você acha desse tipo de intriga entre essas pessoas? Qual o dano que os evangélicos tem, com essa superexposição, da vida intima, vida espiritual e vida financeira dessas pessoas?

1HIBRIDO -  A verdade é que eu acho lamentável. Se estivessem se sujando somente eu acharia apenas triste, mas estão sujando o Evangelho, por que pelo menos em tese, esses caras “o representam”. O resultado disso é um reforço do facciosismo em nosso meio: o irmão é do time x o outro é do time y e todos pecam com isso. Não estou dizendo que tenho que ser omisso, o ideal é preparar os irmãos para combater as heresias e deixar que os próprios frutos de cada um sejam expostos. Isso vai acontecer uma hora, como nós já temos visto. Nas cartas dos apóstolos, muitos deles estavam lutando contra essas heresias, por que pessoas que se diziam irmãos, estavam tentando implementar uma doutrina diferente das que eles tinham recebido, o interessante é que nós vemos essas heresias sendo combatidas, contudo não vemos um nome sendo citado.

1FG -  Voltando o foco para o seu trabalho, E esses clips hein ? Quando é que vão sair hein, já tem uma data prevista ?

1HIBRIDO -  Está para sair (rs) já começamos a gravar o vídeo de Apenas um Toque e até o final do ano pretendo gravar mais dois: Sou Carioca Mermo (escolhida por voto popular) e Minha História que será um micro documentário da minha vida, acompanhado do clip da musica.

1FG -  Hibrido você tem um estilo todo “diferente” dos padrões considerados normais pela a sociedade, você sofre algum tipo de preconceito por ter piercings, tatuagens, dreads e roupas largas?

1 HIBRIDO -  Sofro cara, mas a real é quem nem ligo para isso, ouço algumas coisas mas são extremamente irrelevantes. Não me incomoda porque entendo a dificuldade do ser humano em entender certas coisas, então libero perdão e aceito numa boa. É uma pena que em nossas igrejas o que muitos ouvem é um reforço do seu pré conceito, falo não só do meu caso, mas de tudo que é diferente do seu meio, algo que deveria estar nos unindo esta nos separando.

1FG -    Na hora da evangelização, você acha que o fato de você não ser um engravatado, ajuda ou atrapalha na evangelização e conversão das pessoas?

2HIBRIDO -  Não ajuda e nem atrapalha, quem convence o homem do pecado e do juízo é o Espirito, o que dificulta a evangelização hoje é a forma com que ela é feita, uma ação na maioria das vezes mecânica e sem amor, pensando em números e não na restauração da vida de uma pessoa que é amada por Cristo e deveria ser por nós também. Claro que a identificação ajuda bastante, mas é 1% de todo um trabalho que é feito pelo Espirito.

2FG -  Você faz parte da missão PinGODagua, a igreja também oferece todo um suporte pra tribos urbanas e pessoas marginalizadas pela sociedade. A proposta oferecida é muito valida, porque existem igrejas que cometem discriminação apesar de saber que DEUS somente rejeita o pecado e não o pecador. Como é fazer parte desse grupo que não faz acepção de ninguém, e que realmente leva o evangelho aos confins da terra ?

2HIBRIDO -  Pra mim é um presente cara, porque as pessoas que estão conhecendo o Evangelho tem acesso a pessoas de verdade, com problemas de verdade, com defeitos de verdade, que não estão se fantasiando de crentes, mas que buscam amar a Deus acima de todas as coisas. A Palavra do Evangelho nos basta e estamos satisfeitos com isso. Não somos uma comunidade perfeita, e por isso respeitamos a imperfeição do outro e buscamos estar nos aperfeiçoando mutuamente sempre, para que todo o Corpo cresça junto.

FG - Bom Cara, Muito obrigado por gastar o seu tempo conosco, peço a DEUS que abençoe grandemente a sua vida, que todos os seus sonhos e projetos  venham a se realizar e que a unção do SENHOR seja derramada de uma forma diferenciada em sua vida.

HIBRIDO - Amém meu irmão. Muito obrigado e que o Pai nos abençoe.

SOMOS1



FOTO POR: >FABIANO D`ARAUJO
SITE FALANDO GREGO: >FALANDO GREGO

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Alternativa dos Alternativos

Entrevista cedida ao site: LADRÕES DE CORTINA



Ladrões de Cortina: Frente ao conservadorismo tradicional das Igrejas, têm surgido novas alternativas de prestar culto a Deus independente do formato. Ministérios alternativos surgiram em diversos cantos do Brasil. Como você se posiciona diante desse fato?

Jonathan Híbrido: É um fato que, desde a criação, o plano de Deus é a comunicação com os seus filhos, e esse objetivo sempre fez com que Ele usasse da sua multiforme graça para se comunicar de forma que fosse entendido. Então vejo esse movimento como uma das formas de Deus se fazer entendido, ensinando doutrinas primitivas com uma nova identidade. Não é uma nova igreja, também não é uma volta à igreja primitiva, é a mesma igreja preservando os princípios fundamentais da fé cristã: comunhão, oração, partir do pão, doutrina dos apóstolos, fé, arrependimento, santidade. Qualquer coisa que fuja disso nem deveria ser chamado de igreja.

LdC: Os ministérios alternativos cristãos são destinados à evangelização de tribos urbanas e marginalizados sociais. O alvo principal é a juventude urbana que não se encaixa nos moldes da cultura dominante. Você, junto com o ministério PinGODagua, se inclui nessa proposta?

JH: Na verdade não. Nosso objetivo é ensinar "toda criatura" a amar a Deus acima de todas as coisas, independente de sua identidade, e usar seus dons para pregar as boas novas. não temos foco em um determinado grupo, pois a Palavra do Espirito que nos foi dada é cuidar de todos que Deus enviasse, então é isso que fazemos. Não queremos ser um gueto e sim um povo. A igreja não é um local para que as pessoas se sintam confortáveis, nesse caso, por não ter ninguém olhando torto para elas, mas um lugar onde todos serão confrontados nos seus pecados, como a intolerância e o “faccionismo”. Ou seja, todos precisam ser abraçados:tribos urbanas, mendigos, pais, avós, classe A, B ou C. O objetivo do PinGODagua é ser uma igreja pra a família.

 LdC: Uma das bandeiras levantadas pelos militantes do movimento cristão underground, é o fato de que Jesus foi um indivíduo marginal, que vivia à frente de sua cultura e convivia com maltrapilhos e discriminados pela sociedade. Considerando essa verdade, qual o principal motivo da intolerância contra grupos alternativos dentro da igreja?

JH: Na verdade, essa intolerância não começa dentro da igreja, mas no meio da sociedade em que vivemos. Esses valores vêm como uma bagagem num fundo falso de quem diz que deixou o mundo pra trás. Contudo, se percebe que não é bem assim quando as opiniões pessoais e preconceitos ainda são visíveis excluindo pessoas e tomando a frente do "amar o próximo como a si mesmo". Jesus não vivia só no meio de maltrapilhos e marginalizados. Maltrapilhos não fazem festas de casamento, não davam banquetes, não tinham exércitos. Muitos nem tinham um sepulcro pra enterrar seus entes queridos. Jesus andava no meio da sociedade. Por outra via tem um grande problema no movimento underground cristão quando os mesmos são tudo que eles próprios reclamam. Mais uma denominação, mais uma igreja “faccionista” que exclui o corpo tanto quanto foram excluídos; reproduzem a mesma intolerância que viviam no mundo, contra a "sociedade", mas agora direcionam à chamada igreja institucional. Se não amarmos a igreja que nos resgatou do mundo, mesmo com seus defeitos, e não fizermos o possível para restaurá-la, estaremos cometendo os mesmo erros.


LdC: No início do Séc. XX ainda havia resquícios do tradicionalismo europeu no meio religioso. A música, as vestes e a estética de devocional era bastante diferente do que se pode ver nas Igrejas de hoje. O rap, o rock (em todas as suas vertentes), o reggae, dentre outros estilos já podem ser ouvidos dentro de alguns templos, algo que seria absurdo há alguns anos atrás. Como você identifica essa transição?

JH: Jesus advertiu o povo para que orássemos por mais ceifeiros, devido a grande ceara. Glória a Deus que o principio foi entendido e por isso, hoje, estamos aqui com uma identidade diferente, estilos diferentes, formas diferentes, mas pregando o mesmo evangelho. Penso que essa abertura é um entendimento dessa verdade, uma aplicação de que todos os povos precisam ser alcançados e ninguém melhor para fazer isso do que irmãos que foram vocacionados. Vejo como cooperação mútua: o corpo servindo ao corpo. E, a partir do momento em que essas pessoas são alcançadas, elas também têm suas formas de expressão que glorificam o nome de Deus. Isso tem de ser manifesto para que o ciclo não pare.
  
LdC: Você identifica algum perigo nessa nova fase da Igreja, onde a existência dos grupos alternativos é manifesta com maior liberdade?

JH: O perigo está na igreja de hoje se afastar da igreja que nos alcançou. O Corpo está se estendendo, não se separando. Temos que cuidar de uma igreja frágil, pois seu período de vitalidade já passou, contudo continua sendo Corpo e, por mais idosa que esteja, ainda dá frutos. O seu modelo arcaico nos inspirou com suas histórias de vitória. Se contribuirmos com o mundo a destruir nossos patrícios e não cooperarmos para que ela continue dando frutos, aí sim fracassaremos. 

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Entrevista com a Crente Crew




Como foi a transição de uma crew de grafite para um grupo de Rap?
Crente Crew: Foi meio que natural, Ticão e Muringa, já curtiam RAP, Magrela tinha acabado de voltar do EUA e junto com Lampião já tinham uma vontade de fazer isso acontecer. Depois, o Barata encaixou como uma luva, pois já vinha fazendo improviso tinha algum tempo. Toda essa cultura nos envolvia já tinha um tempo, parece que Deus só nos despertou.
Como é descaracterizar essa imagem do Crente como uma coisa quadrada?
CC: Difícil irmão, mas é válido. É uma proposta um pouco complicada, mas quando definimos a missão, os alvos, e tudo mais ficou claro qual era o nosso chamado. Sabemos que virá pedra de tudo quanto é canto, do nosso povo e do mundo também, mas quando Cristo está no seu devido lugar em nossos corações e a missão está gravada no nosso DNA tudo da certo.

A grupo é literalmente uma Crew bem distribuída 1 Produz, outro faz free style, outros grafitam e todos rimam. Isso facilita e deixa o trabalho mais versátil. A Crente Crew usa esses elementos nos shows?

CC: Usamos com certeza. Começamos sempre com um improviso pra esquentar a galera. Acho que o nosso grande segredo é essa união de forças e talentos, se todos nós tivéssemos que fazer tudo daria tudo errado. Com essa mescla de talentos e funções o trabalhão corre mais rápido e melhor.
A Crente Crew lançou a Demo “Senta Que Lá Vem A História”. O que vocês trouxeram para o novo cd e o que vocês deixaram no passado?
CC: Trouxemos a experiência, a descontração, e algumas coisas mais. Deixamos pra trás a visão de “grupinho”, a falta de postura profissional e algumas outras coisas.
Existem muitas especulações na Internet que tem causado duvidas sobre a vacina da gripe H1N1. O que a Crente Crew pensa a respeito?
CC: Sinceramente não temos uma opinião formada sobre esse assunto. Nos pegou de surpresa...rsrs

Recentemente vocês lançaram a Pré Mix, como ta sendo a divulgação? Já tem previsões de lançamento do CD completo? E show de lançamento?

CC: A Pré-Mix ta sendo bem aceita pelo público, até agora foi um sucesso na nossa opinião e o CD completo deve sair até Agosto no máximo. Estamos negociando com algumas casas de show, lonas culturais pra vermos o melhor lugar. Temos certeza do seguinte, o CD completo vai surpreender muita gente.

Não é novidade que existe um monopólio no mercado fonográfico seja no meio cristão ou não. Como é cantar rap, ser cristão e independente?

CC: Muito difícil amigo, claro que todos nós amamos o que fazemos e com certeza gostaríamos de viver disso, ter mais condições de cumprir a nossa missão com toda estrutura necessária, mas é difícil. O mercado aos poucos tem percebido a força da música Cristã e vemos isso como uma vitória. Mas só os melhores alcançarão êxito nessa questão. O espiritual e o profissional caminham lado a lado nessa questão.

Vocês estiveram na final estadual do RPB Festival (Rap Popular Brasileiro) organizado pela CUFA, um grupo cristão saindo das paredes da igreja. Pelo destaque, muita gente ainda torce o nariz?

CC: Sempre vão torcer né, a grande maioria cristã é conservadora, e não criticamos isso. Cremos que cada denominação tem a sua doutrina e costumes. O que criticamos é o julgamento, só porque fazemos de um jeito diferente não quer dizer que estamos errados entende?! Nossa missão é ganhar os Mcs, Graffiteiros, e todos que de alguma forma estão ligados ao hip hop e nossa postura condiz com o público que queremos atingir.
Ano de eleição, cristianismo vs política. Vocês são da política de votar em determinado político por ser cristão? A Crente Crew ainda tem esperança de que esse mundo melhore?
CC: É um assunto complicado, o inferno está unido e cremos que o povo de Deus também deve se unir. É claro que nunca poderemos garantir a boa atuação de um político Cristão, mas devemos nos informar sobre o tal, seus projetos, visão, seu passado. Mas com certeza cremos que o povo de Deus deve se unir e votar em conjunto. Vemos o movimento homossexual se organizando e fazendo barulho, e nós sempre desunidos. Deixamos esse alerta.

Qual a idéia que a Crente Crew deixa quem ta lendo essa entrevista?

CC: A idéia? É que Jesus está próximo de voltar e que todos tenham um arrependimento genuíno ou ficaram para trás. Tudo quanto foi escrito pelos profetas e depois profetizado pelo próprio Cristo está acontecendo. Se você não crê em Jesus e está lendo está entrevista tenha pelo menos a curiosidade de examinar a bíblia e verá o grande amor que Deus tem por nós e o seu plano de salvação. Jesus nos ama tanto que decidiu morrer pelos nossos pecados para que possamos ter vida após a morte e relacionamento eterno com o Criador.
Crente Crew na Internet:
MYSPACE
TWITTER

CONTATOS PARA SHOWS E PEDIDOS DA PRÉ MIX
crentecrew@hotmail.com
(21)88486268 (Ticão)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cristianismo e Hip Hop


1. Quando e como foi o seu primeiro contato com a Cultura Hip Hop? Qual dos elementos te atraiu?E como foi visto pela tua congregação?
Meu 1° contato com a Cultura foi aos 13 anos ao som de Racionais e Gabriel Pensador, como meu pai era musico então sempre fui fascinado por tal arte, e foi um processo, do samba ao funk, do funk ao rap e do rap ao Hip Hop, todas as manifestações sempre me chamaram muita atenção mas meu dom me fez voltar para o rap, que é a musica do Hip Hop. Na comunidade em que me converti e na que congrego hoje sempre tivemos uma visão mais ampla do evangelho, do qual incentivamos nossos irmãos a desenvolver suas habilidades e transformá-los em dons, então nunca tive muitos problemas com relação a isso, muito pelo contrario, sempre fui muito incentivado!

2. Como articula a cultura Hip Hop com a Cultura Bíblica?Considera-se um Levita? Para quem canta?
A Bíblia nos dá dicas existenciais simples, objetivas, que nos leva a ter uma vida saudável e uma conduta digna de arrependimento. Por outro lado na pratica esse ensino parece um grande emaranhado de informações complexas em um dialeto desconhecido, a disposição de pessoas comuns. Uso minha musica para traduzir isso de forma que as pessoas entendam, não apenas levando a palavra de salvação mas também mostrando essas informações que nos trazem uma qualidade de vida, todas as minhas musicas por mais que não tenham explicitamente o “me mata Jesus” tem conceitos cristãos! Não sou um levita porque não sou da tribo de Levi! Não vejo Jesus e nenhum Apostolo fazendo menção a esse ministério, alias Números 1 e 3 mostram o trabalho e as exigências de Deus para ser um Levita, se alguém quiser viver segundo os preceitos da lei que a viva por completo! Eu canto para as pessoas que precisam ouvir a verdade!

3. A diferença entre o Hip Hop secular e o Hip Hop Cristão? Diferenças básicas.
Acho que as diferenças que existem são uma visão de conceitos! Ambos estão ai para denunciarem o que esta errado, a grande diferença que o Hip Hop somado ao cristianismo nos dá uma verdade salvifica através da revelação de Cristo, mas não é apenas falar de Cristo porque temos vários grupos que não são “cristãos” que o fazem, mas é o viver o Cristo que nós pregamos. Essa é a grande diferença, o rap cristão tem que viver o Cristo.

4. A diferença da figura do Homem Negro no Hip Hop Secular e Hip Hop Cristão?
Penso que não, a questão da raça já transcedeu a questão cultural, essa diferença já ficou nos “guetos” da cultura.

5. Em sua opinião como a cultura Negra é vista no Brasil tanto no seio da sociedade e das Igrejas?
Penso que ainda estamos muito na defensiva se automagoando, nossos escudos de defesa por precaução estão armados ainda! Ainda vejo muita gente tentando se justificar, tentando mostrar que temos orgulho da nossa etnia, mais esse excesso nos faz mal e inconscientemente magoa pessoas de pele clara! Vejo comunidades no orkut com o título “Negros Cristão” e ninguém pode falar nada sobre isso, mas tenho certeza que se algum negro encontrar uma comunidade chamada “Brancos Cristãos” se sentirá ofendido e excluído, e vai querer entrar lá e começar a se “justificar”. A alguns dias atrás estava no Recreio dos Bandeirantes aqui no Rio e um senhor negro começou a falar comigo sobre discriminação, que temos que estudar e trabalhar pra mostrar que não somos inferiores... eu deixei ele desabafar e no fim disse a ele que esse preconceito já tinha acabado! Ele se indignou! Voltou a insistir e disse que eu era um louco! Quando ele terminou de falar eu disse a ele o seguinte:
___ Sabe quando esse sentimento de discriminação acabou? Quando entendemos que somos aceitos por Deus, depois disso nenhum julgamento dessa terra tem sentido para nós.
Assim acabou o dialogo!

6. Como a mulher é vista na Cultura Bíblica e na Cultura Hip Hop?
Bem, segundo a Bíblia é difícil se fazer essa análise porque muitas coisas tinham a ver com o costume da época, e outras recomendações eram para situações especificas, uma coisa é certa, deram muita importância ao âmbito de ter filhos e se esqueceram que ela foi formada para ser nossa ajudadora! E hoje penso que não esta muito diferente, mesmo na cultura Hip Hop as mulheres continuam sendo um produto de consumo dos homens, mas hoje muitas delas tem suas parcelas de culpa nisso! A falta de valorização vem dos dois sexos. Já fui a alguns shows de grupos que em suas letras valorizam a mulher, mas em seus shows as mulheres são praticamente “parte do cachê”, como o Charles MC diz “traem suas mulheres e filhos por prostitutas, traem o próprio povo mentindo de novo...”

7. A sua Igreja utiliza a Cultura Hip Hop(todos os elementos) para o evangelismo?Se for o caso, onde é esse campo missionário?
No PinGODaguA temos a Intervenção Crew que faz trabalhos sociais, humanitários e evangelismos na comunidade da Nova Palestina em Santa Cruz RJ, e movimentos de incentivo a doação de sangue, medula óssea e plaquetas. Introduzimos a cultura Hip Hop sempre aos trabalhos para fazer essa ponte e mostrar que o Hip Hop pode e quer estar engajado nesses trabalhos de ajuda e evangelismo da comunidade.

8. Para ti existe alguma ligação do Senhor Jesus Cristo com um MC?
Com certeza! O papel do mc desde o inicio foi entreter, mas também ser um profeta da verdade, se manifestando e abrindo os olhos do povo para as mentiras que estão sendo propagadas, e que tem ferido nosso moral, nossos valores e por conseqüência nossas vidas.

9. Como é visto DEUS na Cultura Hip Hop Cristão?Branco, Negro?
No Hip Hop que tem conhecimento das escrituras Ele tem que ser visto como um Deus que é Espírito, que não tem cor, da mesma forma que não tem braços ou pernas! João 4:24 diz que Deus é Espírito e Colossenses 1:15 diz que Jesus é a manifestação visível do Deus invisível. Então é impossível ter uma definição do Criador, qualquer tentativa é equivocada e exclui o próximo.
Cedida para Afronaz

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Hibrido Responde!



Existe pra vc uma "essência" que define o hip-hop?


A palavra essência diz respeito a coisas indispensáveis e necessárias, muitas coisas são indispensáveis na cultura Hip Hop! O assistencialismo é indispensável, a preocupação com a formação de uma comunidade sadia e instruída também, é indispensável que o rap continue sendo um veiculo de protesto, mas não podemos continuar cometendo o erro dele se tornar uma didática de pré-conceitos, contra uma pessoa que nasceu com uma qualidade de vida melhor, e ao mesmo tempo não deixar que o rap se banalize como aconteceu lá fora e que esta começando a acontecer aqui no Brasil também!

O que é ser um militante do hip-hop pra vc?


É de alguma forma cuidar das pessoas ao meu redor, fazer com que as pessoas se questionem ao mesmo tempo em que se divertem e com esse confronto mudem suas vidas. Ouço muita gente falando que é a voz do rap ou da periferia, mas esse organismo precisa de braços, mãos e pernas, porque esse “corpo” tem estomago e precisa sobreviver! A postura de um “militante” tem que estar além dos palcos, atrás dos holofotes onde talvez seu “show” será feito para uma família de cinco pessoas, e ali tenho certeza que ouve muito mais efeito do que seu discurso para mil pessoas que ao sair dali continuarão vivendo suas vidas egoístas.

Vc acha que o hip-hop é de todos?



Sim de todos! Independente de cor ou classe social, é a soma de nossas diferenças e qualidades que taparão todas as brechas. As diferenças não são ruins, pelo contrario são boas! Nossa intolerância que não presta!

O que acha de integrantes do hip-hop que traçam diálogos com governantes, fazem parcerias e alianças para seus projetos?



Se você pegar 10 cds de rap verá que em 9 existem cobranças, xingamentos, insultos e até ameaças para esses governantes, sendo que xingar, insultar de longe é muito fácil, é como falar mal da policia e quando esta na frente de um, dar uma de bom moço o chamando de senhor ou de autoridade, essas exigências contidas nos cds nunca chegam aos ouvidos do governo, então penso que esse corpo a corpo é bom! Se antes não faziam agora estão se sentindo pressionados a fazer por esses diálogos! E agora? Vamos retroceder em nossas opiniões e continuar “gritando para surdos?”.

As manifestações do hip-hop vêm se expandindo muito. O baile de Madureira é um bom exemplo. Antes da divulgação na mídia era mais freqüentada por pessoas da periferia e agora pessoa de outras classes sociais e até gringos já são freqüentadores assíduos. O que acha disso?




Desde que não vão para usar nossas “negras” como concubinas, mas, para curtir o baile eu acho legal, é o lance da diferença todo mundo cresce com isso!O problema é que muitos desses caras não vão atrás da cultura Hip Hop, mas sim atrás de beats dançantes e de uma “balada” diferente. O que também não acho bom é os caras se fantasiando de pessoas que eles não são! Já vi vários Cris Brown´s pegando ônibus lotado! Aquele cara do B2K que nunca guardo o nome dele indo a pé pra casa! Isso ai já é falta de personalidade.
Perguntas por Luciana Bezerra, para o trabalho de dissertação do mestrado!